Painéis da praça voltaram a sofrer com o vandalismo



Em várias edições, o Pólis mostrou o descaso do poder público em relação aos painéis da praça dos ferroviários de Recreio, e logo a reforma da proteção de vidro sobre as obras foi realizada. Agora, os famosos painéis da praça, que contam parte da nossa história através das pinturas em azulejos, voltaram a sofrer com o vandalismo.
Todos acabam tendo uma parcela de culpa no descaso com o monumento, o poder público que não empreende uma política de preservação patrimonial, as escolas que não ensinam a importância destes patrimônios e, principalmente, a educação familiar, que em muitos momentos os pais preferem transferir para terceiros.
Os painéis, que foram instalados em 1962, pelo então Prefeito Miguel Andries, mais uma vez sucumbem, diante da ausência de conhecimento de um povo que não respeita nem mesmo o seu próprio passado.
                                                                                                                                                                                      Fonte: Pólis 52.

Parceria entre Pólis e Centro Cultural Aristides Dorigo renderá a Recreio aproximadamente R$ 10 mil de ICMS Cultural



A parceria entre o Jornal Pólis e o Centro Cultural Aristides Dorigo, através de Fátima Malta, na 3ª Jornada Mineira do Patrimônio Cultural/2011, que Recreio participou pela primeira vez com o projeto "Quando a história de todos conta a história da praça", renderá ao Município 1 ponto na tabela do repasse do ICMS Cultural , em dinheiro isto dá aproximadamente R$ 10 mil, variando de acordo com a arrecadação do Estado em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços "ICMS".
A informação sobre o benefício que Recreio terá com a participação na Jornada Mineira do Patrimônio Cultural/2011, foi cedida por Simone de Almeida Ramos, formada em Comunicação Social com habilitação em Publicidade, pós-graduação em Patrimônio Cultural pela PUC e em Revitalização Urbana pela UFMG. Simone é consultora do município de Recreio quanto ao Patrimônio Cultural.
Em 2011, Recreio já recebeu R$ 26.330,12 (janeiro a setembro) de ICMS Cultural, valores que tem sido investido na cultura de nossa terra no intuito de preservar a nossa memória, pois "um povo sem memória é um povo sem identidade", relatou Fátima Malta, funcionária do Centro Cultural Aristides Dorigo.
Fonte: Jornal Pólis - edição 51.

Município de Recreio agora tem Câmara de Vereadores Mirins




Recreio agora tem uma Câmara de Vereadores Mirins, a posse e a eleição da parte administrativa foram feitas na sede do legislativo, no dia 3 de outubro.
Os vereadores são alunos que estão cursando o 8º e 9º anos das escolas da cidade. Os representantes da Câmara Mirim foram escolhidos em votação realizada em cada escola. Os colégios que elegeram os vereadores foram: E.E. Presidente Carlos Luz (Conceição da Boa Vista), E.E. Olavo Bilac, E.M. João Damasceno Ferreira e E.M. Profª. Nice Damasceno de Almeida Muniz.
Na noite da posse estiveram presentes os vereadores; o prefeito, Dr. Fernando; a vice-prefeita, Daniela; a secretária de educação, Eliana Cardozo; a diretora da Escola Olavo Bilac, Ana Mello; o Prof. Márnio Guilherme, da Escola Pres. Carlos Luz e os pais dos eleitos.
 Segundo o idealizador da Câmara Mirim, o vereador Gil Carlos "Dindin", o projeto tem caráter pedagógico, voltado para a cidadania, porém, eles poderão fazer indicações e enviar à Câmara até projetos de lei para que os vereadores apresentem à casa e quem sabe, tenham sanção do prefeito.
O mandato dos vereadores mirins vai até 31 de janeiro de 2012, com reuniões quinzenais na Sede do Legislativo.
Fonte: Jornal Pólis - edição 51.

Conceição da Boa Vista: 160 anos

Neste mês de outubro foram completados os 160 anos do distrito de Conceição da Boa Vista. Elevado a Distrito de Paz pela Lei nº 533 de 10 de outubro de 1851, ficou então pertencendo a Mar de Espanha que havia tido sua emancipação administrativa no mês anterior.

Naquele momento a divisão de seu território com o então Distrito do Feijão Cru iniciava-se na barra do Ribeirão São João no Rio Pomba, seguia pela fazenda de Manoel de Novaes, em seguida a Fazenda Bocaina e ganhando a serra, ia até a divisa da propriedade de João Batista com Manoel Ferreira Brito. Deste ponto, onde havia um cemitério, o limite entre os dois distritos seguia em direção à fazenda de Joaquim Cesário de Almeida, na divisa com os Valins, e daí buscava as fazendas Soledade e Santa Úrsula, que continuaram pertencendo ao Feijão Cru.

Com o Distrito de Madre de Deus do Angu, hoje Angustura, dividia pela Serra da Pedra Bonita até encontrar o Rio Paraíba do Sul e por este descia até a barra do Rio Pirapetinga no mesmo Paraíba do Sul. Subindo o Rio Pirapetinga até o Ribeirão Bonito ou do Garcia, por onde seguia até sua barra no Rio Pomba, seguindo por este até encontrar o ponto inicial da divisa, na citada barra do Ribeirão São João.

A extensão do território de Conceição da Boa Vista já foi demonstrada aqui neste blog, através da imagem abaixo.

Conceição da Boa Vista ficou subordinada a Mar de Espanha até 27 de abril de 1854 quando, com a emancipação administrativa do Feijão Cru com o nome de Vila Leopoldina, passou a fazer parte do território da nova unidade da província mineira, conforme a Lei nº 666.

Em  3 de junho de 1857 a Lei nº 810 alterou as divisas entre o Curato de Conceição da Boa Vista e a sede da Freguesia - Leopoldina, estabelecendo como limite o Ribeirão Pirapetinga, sendo que as citadas fazendas de Quirino Ribeiro de Avelar Rezende e de Manoel José Monteiro de Castro ficaram em território de Conceição da Boa Vista.


O próximo normativo legal sobre o distrito é a Lei nº 1902, de 10 de julho de 1972, quando foi elevado a Paróquia o Curato de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista.

Festejar o aniversário de Conceição da Boa Vista é lembrar que dali foram desmembrados territórios para formação de outros distritos, inclusive o de Recreio, que mais tarde passou a ser a sede administrativa do município criado em 1938.

Quando a história de todos conta a história da praça

Já está disponível o DVD sobre a Jornada Mineira do Patrimônio Cultural em Recreio. Para adquiri-lo basta entrar em contato com Fátima Malta pelo telefone: (32) 9975-0840 ou pelo e-mail
 

Pólis 50: 2ª quinzena de agosto de 2011

Recreio participa, pela primeira vez, da Jornada Mineira do Patrimônio Cultural

Pólis 49: 1ª quinzena de agosto de 2011

Pólis comemora aniversário e ajuda Hospital

Pólis 48: 2ª quinzena de julho

Informativo de Recreio. Redação e Edição de Leonardo Ribeiro da Silva.
Pólis 48: Recreio continua em luta contra a dengue

Polis 47: Cinema por um dia

Pólis 47: Magia do Cinema voltou a Recreio por um dia

Pólis 46: Informativo de Recreio, MG

Pólis 46: Informativo de Recreio, MG

Informativo da 1ª quinzena de junho de 2011

Pólis 45: Informativo de Recreio, MG

Pólis 44: Informativo da 2ª quinzena de junho de 2011

Pólis 44: Informativo de Recreio, MG

Informativo da 1ª quinzena de maio de 2011

Pólis 43: Informativo de Recreio, MG

Polis 42: informativo do município de Recreio

Polis 42: Filme de recreiense ganha destaque no Revelando os Brasis
Mais algumas imagens da visita do programa Viação Cipó a Recreio.

Leonardo Ribeiro, editor do jornal Pólis, acompanhou o jornalista Otavio di Toledo ao Museu da Memória Ferroviária. Pedro Dorigo acompanhou as filmagens.

Polis 41: informativo do município de Recreio

Polis 41: Recreio é cenário do filme "O Mundo é Pequeno"

Construindo biografias...Historiadores e jornalistas: aproximações e afastamentos.

Artigo publicado por Benito Bisso Schmidt em 1997, na Revista de Estudos Históricos da Fundação Getúlio Vargas


Resumo

O artigo examina a recente produção de biografias nos âmbitos da história e do jornalismo no Brasil, tentando detectar possíveis aproximações e afastamentos entre eles. Três questões são abordadas: as razões da emergência do gênero biográfico entre historiadores e jornalistas, as semelhanças e diferenças entre as abordagens histórica e jornalística e a riqueza das possibilidades abertas pelos estudos biográficos recentes.



Texto disponível neste endereço: Schmidt

Pólis 38: 2ª quinzena de fevereiro de 2011

Pólis 38: Dengue hemorrágica em Recreio

Pólis 37: informativo da 1ª quinzena de fevereiro

Pólis 37: A dengue já chegou aos distritos de Recreio

Pólis 36: 2a. quinzena de janeiro de 2011

Pólis 36: Dengue espalha-se pelo município de Recreio                                                                                                   

Recreio: uma cidade que nasceu por causa da ferrovia

Várias vezes foi abordado, neste blog, o fato de que a origem de Recreio está na passagem da Estrada de Ferro Leopoldina por esta localidade. Na troca de impressões com antigos moradores, sempre pareceu claro que isto não era novidade. Entretanto, frequentemente chegam comentários de leitores que desconhecem este aspecto da história da cidade onde nasceram. É o caso de um visitante do blog que ontem enviou o seguinte comentário: "eles deviam ter construído a estrada fora da cidade para não atrapalhar a vida da gente".
Convidamos o leitor, que não se identificou, para uma leitura esclarecedora. Trata-se de artigo publicado na Revista de História Comparada do Programa de Pós Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, volume 1, número 1, publicado em junho de 2007. Sob o título Estradas Reais e Estradas de Ferro: Cotidiano e Imaginário nos Caminhos de Minas, Helena Guimarães Campos "articula diversos aspectos ligados ao traçado, à construção, à economia, ao trabalho, à vida e ao imaginário dos caminhos coloniais e ferroviários de Minas Gerais". 

Por oportuno, destacamos um trecho do artigo sobre a transformação da percepção do tempo e as mudanças políticas decorrentes.
"Essa transformação que a ferrovia operou sobre a percepção do tempo ficou nítida na rigidez do horário de trens que muito ordenou o cotidiano da população. Antes das estradas de ferro era a luz solar o grande relógio a disciplinar o dia-a-dia das pessoas que organizavam suas atividades de acordo com a hora em que o sol raiava ou baixava, a hora do sol quente, etc. Na era das ferrovias, o tempo fragmentou-se de acordo com a passagem dos trens: eram o "trem das seis", o "noturno", o "expresso", o “cargueiro de tal lugar”… que regiam os fazeres diários.Todavia, esse horário draconiano que embaçava a atmosfera com a poluição das numerosas locomotivas, era responsável por um "arzinho" de democracia. Se antes o todo-poderoso local afirmava sua autoridade fazendo-se esperar em todos os eventos, pois nada tinha início sem a sua presença, a ferrovia lhe impôs a observância do horário. Lá estava ele, de pé na estação, junto com toda a “sua gente”, aguardando a chegada ou a partida do trem que, cumprindo horário, não esperava por ninguém. Verificava-se, na verdade, a substituição da autoridade local pela figura do trem; afinal, era pelo trem, no horário ou atrasado, que todos aguardavam."

O artigo completo pode ser lido neste endereço.

Coleção Pólis

Edições publicadas até dezembro de 2010


Escola em Conceição da Boa Vista

Com o título Professores, a postagem do dia 8 de abril de 2007 informava que Antonio Maximiano Oliveira Leite era professor no distrito de Conceição da Boa Vista em 1875 e que em janeiro de 1885 foi nomeado um outro professor para o distrito: João Batista Nunes Júnior.

A análise sobre a educação tinha sido iniciada no dia anterior, quando informamos que a contagem populacional de 1872 indicava que 47% dos moradores livres eram alfabetizados. Mencionamos, também, que a partir de 1906 as então salas de Aulas Públicas foram reunidas em Grupo Escolar.

Ainda não se sabe a localização das Aulas Públicas que funcionaram em Conceição da Boa Vista. Tampouco temos o endereço completo do primeiro Grupo Escolar, cuja fotografia ao acima foi obtida junto ao Arquivo Público Mineiro.

Se você tem alguma informação sobre o tema, por favor, entre em contato.

Recreio: Engenho Velho




Como está hoje este local?

Você pode nos contar alguma passagem que envolva o Velho Engenho, que funcionava próximo ao horto de Recreio?

Uma Genealogia em Estudo

Juliana, Marcus e Emilio Martins Dorigo nasceram em Recreio, filhos de Jeferson Ferreira Dorigo e Mercês Martins Simão. Representam famílias com profundas raízes em Recreio.

O estudo sobre os Dorigo estão sendo divulgados neste endereço. Sobre os Ferreira pretendemos publicar um ensaio brevemente, estando na dependência de verificar a existência de vínculos com os Ferreira Brito e Almeida Ramos, famílias povoadoras do município de Leopoldina, além dos Souza Lima. Faltava identificar a ascendência materna.

Mercês Martins Simão é filha de Arcelino de Oliveira Simão, cujo resumo biográfico foi publicado no informativo Polis número 16 que pode ser lido aqui. Sua mãe foi Maria Lucia Pinho Martins, nascida aos 4 de abril de 1925 em Recreio, onde faleceu no dia 20 de setembro de 2002.

Os avós paternos de Mercês foram Américo Simão e Amélia Oliveira. Os avós maternos foram Guilhermino Augusto Martins e Mercês Aragão Pinho.

Américo Simão, nascido aos 6 de março de 1893 em Sapucaia, RJ e falecido no dia 14 de outubro de 1960 em Recreio, era filho dos italianos Guglielmo Simoncini e Clemenza Tartarini. Américo foi comerciante em Recreio, tendo sido homenageado pela nomeação de uma Praça no centro da cidade, entre o Casarão dos Melido e o Bazar Pinho. Casou-se em Recreio, a 6 de maio de 1914, com Amelia Oliveira de quem ainda não temos outras informações.

Guilhermino Augusto Martins, o avó materno de Mercês, nasceu em Vila Flor, Bragança, Portugal, no dia 7 de maio de 1889. Era filho de Francisco Manoel Martins e Maria Candida Pereira Cabral. Passou ao Brasil em 1909, estabelecendo-se no centro da cidade do Rio de Janeiro onde trabalhava, em 1922, numa casa comercial da rua Teofilo Ottoni. Transferiu-se para Recreio naquele ano, ao casar-se com Mercês Aragão Pinho.

Foi comerciante na cidade e posteriormente voltou para o Rio de Janeiro, já casado pela segunda vez com Adelia Zamagna, filha dos italianos Claudio Zamagna e Sofia Gigli. Faleceu no Rio de Janeiro aos 20 de dezembro de 1966.

Mercês Aragão Pinho nasceu em Além Paraíba, no dia 24 de setembro de 1899 ou 1900. Seu nome é uma homenagem a Nossa Senhora das Mercedes, ou das Mercês, que a Igreja Católica reverencia especialmente no dia 24 de setembro, lembrando a aparição da Santíssima Virgem no ano de 1218 na Espanha. Este evento teria ocorrido na presença de São Pedro Nolasco que por isto decidiu fundar uma ordem religiosa dedicada à mercê, ou seja, a obras de misericórdia em benefício dos cristão cativos em mãos mulçumanas. Nossa Senhora da Mercedes é, por esta razão, padroeira de Barcelona, Espanha.

Filha dos portugueses Manoel Lucrecio Leite Pinho e Rosa Aragão de Paula, Mercês Aragão Pinho cursou Odontologia no Instituto Metodista Granbery, em Juiz de Fora. Teve formação apurada, dedicando-se a diversas artes, incluindo a fotografia. Entretanto, não exerceu a profissão para a qual se habilitou, casando-se e dedicando-se exclusivamente ao marido e filhos. No dia 30 de dezembro de 1934, pouco mais de um mês após dar a luz ao oitavo filho, faleceu no Rio de Janeiro, na Casa de Saúde Santo Antonio, para onde se transferira em busca de tratamento médico para os problemas decorrentes do parto. Foi sepultada em Recreio.

Na geração seguinte dos ancestrais de Juliana, Marcus e Emilio Martins Dorigo vamos encontrar o italiano Guglielmo Simoncini, nascido por volta de 1858 na província de Bologna, região da Emilia Romagna, Itália. Filho de Giovanni Simoncini e Maria Bogni, Gugliemo passou ao Brasil em 1888, casado com Clemenza Tartarini, filha de Serafino Tartarini e Gaetana Obti. Desembarcaram do vapor Cachar no Porto do Rio de Janeiro e foram encaminhados para a Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora, onde Guglielmo assinou contrato com um fazendeiro do município de Cataguases e para lá se dirigiu no dia 18 de novembro daquele ano.

É possível que a fazenda onde Guglielmo trabalhou ficasse localizada no então distrito de Nossa Senhora da Conceição do Laranjal. Parece que Clemenza e Guglielmo Simoncini estiveram por pouco tempo na fazenda, saindo para atividades não agrícolas em Estrela Dalva e Sapucaia. Posteriormente radicaram-se em Recreio onde ele faleceu no dia 17 de agosto de 1924.

Assim como aconteceu com numerosos italianos, o sobrenome foi modificado, sendo provável haver parentesco de Guglielmo com os Simões, descendentes de Alfredo e Vittorio Simoncini, espalhados por diversas cidades mineiras.

Nesta mesma geração ascendente temos os portugueses Francisco Manoel Martins (filho de Joaquim Antonio de Azevedo e Maria Candida Martins) e Maria Candida Pereira Cabral (filha de Francisco Diogo Pereira Cabral e Margarida de Jesus).

Como se viu acima, Francisco e Maria Candida foram pais de Guilhermino Augusto Martins que se casou em Recreio com Mercês Aragão Pinho. O pai dela, Manoel Lucrecio Leite Pinho, nasceu no Aveiro, Portugal, no dia 19 de março de 1875, filho de Antonio Gomes Pinho e Lucrecia Leite. Manoel Lucrecio foi funcionário da Companhia Estrada de Ferro Leopoldina e faleceu em Recreio aos 22 de março de 1930. Foi também comerciante, fundador do Bazar Pinho, no centro de Recreio.

Manoel Lucrécio casou-se no dia 1 de janeiro de 1889 em Recreio, com Rosa Aragão de Paula. Ela nasceu em território que hoje pertence ao município de Rio das Flores, RJ. Era filha de José João de Paula e Ana Aragão, provavelmente ruralistas na margem esquerda do rio Preto, que marca a divisa entre os estados de Minas e Rio de Janeiro, nas proximidades do atual município de Rio Preto, MG. José João faleceu em Recreio, no dia 6 de maio de 1914. Ana Aragão também faleceu em Recreio, aos 2 de dezembro de 1926.

Ainda estamos analisando a possibilidade de Juliana, Marcus e Emilio Martins Dorigo serem parentes de Miguel José de Aragão, escrivão do cartório de Conceição da Boa Vista na década de 1890. Miguel era natural de São Pedro do Jarmelo, Concelho da Guarda, Portugal, filho de Francisco José Aragão e Máxima Cândida de Macedo. Casou-se com Izabel Augusta Guedes, natural de Santa Izabel, atual município de Mucugê, Bahia, filha de Antonio Pereira Guedes e Maria Pereira. O casal teve pelo menos um filho batizado em São José do Rio Preto que é hoje o município de Rio Preto, Minas Gerais, mesmo local onde viveram José João de Paula e Ana Aragão acima citados.

Registre-se, ainda, que Rosa Aragão de Paula, irmã de Mariana Aragão de Paula, em Recreio casou-se com Antonio Borges de Souza no dia 20 de novembro de 1897. O marido de Mariana era filho Antonio Borges e Joaquina de Jesus, sendo interessante destacar que o sobrenome Borges de Souza está presente em moradores de Ribeiro Junqueira, Vista Alegre e Itapiruçu no final do século XIX.

Num texto publicado em 2009 na Revista Topoi, do Instituto de Pós Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a professora Mary del Priore cita o seguinte trecho de Marcel Schwob na obra Vidas Imaginárias:

"A ciência histórica nos deixa na incerteza sobre os indivíduos. Ela só nos revela os pontos pelos quais eles se ligaram às ações gerais. Ela nos diz que Napoleão sofria no dia de Waterloo, que é preciso atribuir a excessiva atividade intelectual de Newton à continência absoluta de seu temperamento, que Alexandre estava bêbado quando matou Clitos e que a fístula de Luís XIV pode ser a causa de algumas de suas resoluções. Todos esses fatos individuais só têm valor porque modificaram os acontecimentos ou porque poderiam ter desviado a série. São causas reais ou possíveis. É preciso deixá-las aos sábios."

Nós acreditamos que, ao estudar a genealogia dos indivíduos, abrimos oportunidade para analisar os pontos de suas biografias que determinam ou são decorrentes do momento histórico no qual estiveram inseridos. No caso deste ensaio que estamos publicando, transparecem algumas práticas bastante conhecidas pelas atuais gerações de moradores de Recreio. Provavelmente todos sabem de alguma trajetória semelhante, seja pela atividade profissional, pelas migrações ou por outros fatores.

E acreditamos, principalmente, que nos sentirmos parte de vivências semelhantes desperta o desejo de conhecer um pouco mais. Como declarou Marcel Schwob, as causas reais ou possíveis são objeto de estudo dos sábios. Mas nós, pessoas comuns, talvez só nos interessemos pela produção destes sábios quando percebermos que um dos nossos esteve ali, naquele dado momento. E, portanto, nós e nossos ancestrais também somos participantes da mesma história.

Os ancestrais de Juliana, Marcus e Emilio Martins Dorigo são uma amostragem possível para estudar passagens da história de Recreio. Estudando, aprendemos. Aprendendo, podemos amar. Amando, passamos a lutar pelos ideais da mesma comunidade.

Este texto se tornou possível através da colaboração de muitas pessoas. Agracedemos, especialmente, a Elisabeth Dorigo de Oliveira e Mercês Martins Simão, que forneceram pistas para localizarmos as seguintes fontes:
  • Cartório da 3ª Circunscrição do Registro Civil, Rio de Janeiro, RJ, Lv Óbitos jun1935 a abr1936 fls 111 termo 3999.
  • Cartório da 4ª circunscrição do Rio de Janeiro, Lv óbitos Dez 1966 - Jun 1967 Vol. 147 fls 6.
  • Cartório de Registro Civil [Conservatória] de Vila Flor, Bragança, Portugal, Ano 1889, fls 91, registo 19, lv nr 2137.
  • Cartório de Registro Civil de Conceição da Boa Vista, termo de tramissão do primeiro escrivão.
  • Cartório de Registro Civil de Providência, Leopoldina, MG, lv 4 fls 67-v.
  • Cartório de Registro Civil de Recreio, MG, lv 4 cas fls 54.
  • Cartório de Registro Civil de Recreio, MG, lv 5 óbitos fls 170.
  • Cartório de Registro Civil de Recreio, MG, lv 6 óbitos fls 15.
  • Cartório de Registro Civil de Sapucaia, RJ, lv 3 nasc fls 104 v termo 880.
  • Igreja Menino Deus, Recreio, MG, lv 3 cas fls 58.
  • Igreja Menino Deus, Recreio, MG, lv 4 cas termo 8 fls 154v.
  • Instituto Metodista Granbery (Juiz de Fora, MG), Jornal O Granberyense, abril 1935, nr. 14 com acréscimos da neta Mercês Martins Simão Dorigo.
  • Livros da Hospedaria Horta Barbosa (Arquivo Público Mineiro), SG 801 fls 207 família 305, passageiros 37 e 38.
  • Passaporte Português, emitido em Bragança, Portugal, 1ª repartição, nº 859, registado no livro 23, fls 179.

A Imprensa em Minas Gerais

Na Revista do Arquivo Público Mineiro, volume 1, páginas 169 a 239, encontra-se um artigo sem indicação de autoria, historiando os primeiros tempos deste meio de comunicação em terras mineiras. Na primeira página o autor informa tratar-se de uma "refusão" de monografia publicada em 1894 e atualizada para aquele número da Revista. A revisão foi concluída em dezembro de 1897.

Através deste artigo ficamos sabendo que o primeiro órgão de imprensa, denominado Abelha do Itaculumy, circulou em Ouro Preto e era impresso na Officina Patricio de Barbosa & Comp. O primeiro número saiu no dia 14 de janeiro de 1824 e, a partir daí, era publicado três vezes por semana.

A segunda localidade a contar com um órgão de imprensa foi São João d'El Rei, onde a 20 de novembro de 1827 apareceu a folha Astro de Minas. Ressalta o autor que, no final da primeira década após o surgimento do Abelha do Itaculumy, apenas dez localidades mineiras haviam criado e desenvolvido o jornalismo. Já no final de 1878 haviam sido fundados 69 órgãos de imprensa no estado, sendo que alguns tiveram vida curta seja por terem encerrado as atividades ou por terem sido substituídos por periódicos com outra denominação.

Em Leopoldina e municípios vizinhos as folhas mais antigas foram:
1 - O Operário, 19 de maio de 1877 em Além Paraíba;
2 - O Leopoldinense, 1879 em Leopoldina;
3 - O Tentamen, 1882 em Mar de Espanha;
4 - A Folha de Minas, 9 de novembro de 1884 em Cataguases;
5 - O Municipio, 1887 em São João Nepomuceno;
6 - O Guarará, 15 de maio de 1892 em Guarará; e,
7 - Correio da Palma, 29 de maio de 1892 em Palma.
Quando fez a revisão de sua monografia, o autor constatou que, entre estes pioneiros locais, apenas os jornais O Leopoldinense (de Leopoldina), O Guarará (de Guarará) e Correio da Palma (de Palma) continuavam circulando. Os demais deixaram de existir, sendo substituídos por outras folhas. Entretanto, haviam sido criados novos órgãos informativos que são apresentadas pela data de lançamento. Para o município de Leopoldina, foram registrados os seguintes:

1 – O Leopoldinense – 1879
2 – O Princípio da Vida – 1885
3 – O Povo - Campo Limpo, 18 de novembro de 1885
4 – O Passaro – 1886
5 – Estrela de Minas – 29 de julho 1887
6 – A Ideia Nova – 1887
7 – Irradiação – 25 de fevereiro de 1888
8 – Gazeta do Leste – 1890
9 – A Voz Mineira – Na Estação do Recreio, 1890
10 – A Leopoldina – 1892
11 – Voz de Thebas – No arraial desse nome, 1894
12 – A Phalena – 1894
13 – Correio da Leopoldina – 1895
14 – Gazeta da Leopoldina – 1895
15 – Mediador – 1895
16 – Tiradentes – No arraial de Vista Alegre, 1897

Na conclusão do trabalho consta que:
Como se vê, dos 123 municípios do Estado de Minas [...] 68 têm imprensa periodica, com 119 orgãos [...]
Entre esses municipios contão-se treze que tem orgãos de imprensa nas respectivas sedes e também em simples arraiaes ou povoados.[...]
Registramos o facto porque elle revela que até em localidades pequenas ou de categoria administrativa secundaria, já é a imprensa apreciada como elemento de progresso e indiscutivel necessidade social.

Temos, assim, mais uma fonte de informação para o surgimento da imprensa em Recreio no ano de 1890. Acreditamos, entretanto, que o autor do artigo seja o mesmo Xavier da Veiga que organizou o Efemérides Mineiras, obra na qual nos baseamos em postagens anteriores sobre a imprensa em Recreio.

Peter Blasenheim comenta jornais e arquivos em Minas

Em conferência proferida no dia 16 de agosto, em Cataguases, o professor norte americano Peter Blasenheim fala sobre os jornais, fonte secundária que ele teve dificuldade de localizar quando realizou pesquisas na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, há cerca de 30 anos. E manifestou desagrado com a falta de organização do Arquivo Público Mineiro.

Agrademos à professora Natania por gravar e divulgar no You Toube alguns trechos desta conferência.

A Estrada de Ferro não passou por Conceição da Boa Vista

Convidamos nossos leitores a reverem a postagem de março de 2007, intitulada A Divisão de Conceição da Boa Vista e os comentários nela incluídos. Trata-se do início do capítulo de nossos estudos sobre as mudanças que acabaram por esvaziar um dos mais antigos distritos daquela região, sujeitando-o administrativamente a um novo distrito então criado e que é hoje o município de Recreio.

Gostaríamos de contar com a participação de outros interessados no tema porque acreditamos que todas as versões sobre a mudança do trajeto da ferrovia devem ser levadas ao conhecimento público.

Aproveitamos a oportunidade para lembrar que os comentários neste blog são moderados, ou seja, são publicados apenas depois de analisados. Muitas vezes temos recebido comentários contendo terminologia inadequada ou informações fantasiosas e não autorizamos a publicação. Em outros casos, os comentários trazem fontes interessantes e optamos por fazer nova postagem sobre o mesmo assunto.

104 anos de fundação do jornal O Verbo

Segundo Leonardo Ribeiro da Silva, historiador de Recreio, no dia 9 de agosto de 1906 saiu a primeira edição do jornal O Verbo. Tendo se dedicado a estudar o periódico para sua monografia de graduação em História, ele destaca a importância deste órgão de comunicação para o município, durante todo o período em que circulou.

No mês em que estamos comemorando um ano do Pólis, jornal criado pelo Leonardo em agosto de 2009, não poderíamos deixar de saudar o aniversário de fundação deste antecessor. Sem nos esquecermos, também, de que este ano completam-se 120 anos do surgimento da imprensa escrita em Recreio, iniciada pelas páginas de A Voz Mineira.